Julgamento ocorreu em Maceió e durou mais de 13 horas; crime que chocou Viçosa teria sido motivado por ciúmes
O julgamento de Wolkmar Júnior, acusado de mandar matar o jovem Rian Venâncio da Silva, de 18 anos, terminou com sua condenação a 24 anos e seis meses de prisão em regime inicialmente fechado. O crime aconteceu em 2022, em Viçosa, na Zona da Mata de Alagoas, e gerou forte repercussão na cidade.
A sessão foi realizada no Tribunal do Júri do Fórum do Barro Duro, em Maceió, para garantir mais segurança e imparcialidade. O julgamento se estendeu por cerca de 13 horas, com debates intensos entre acusação e defesa, incluindo réplicas, tréplicas e acareações entre testemunhas.
Ao final, os jurados reconheceram duas qualificadoras: motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima, reforçando a gravidade do caso.
Relato marcante e dinâmica do crime
Um dos momentos mais impactantes do julgamento foi o depoimento de Maria Clara, ex-namorada do réu e que também mantinha contato com a vítima. Ela pediu para depor sem a presença das famílias, o que foi autorizado pela Justiça.
Segundo o relato, na noite do crime, Rian a convidou para um encontro em um local aberto, porém escuro. Cerca de 20 minutos depois, um carro passou pelo local e, em seguida, um homem armado apareceu anunciando um assalto.
Apesar de não levar nenhum pertence, o criminoso efetuou disparos contra Rian no momento em que ele tentava ajudá-la após ela passar mal.
“Ele deu o primeiro tiro, eu corri. Quando saí correndo, escutei outro disparo”, relatou.
Contradições e acusações durante o julgamento
O júri foi marcado por versões conflitantes entre os envolvidos. Testemunhas apontaram comportamento possessivo do réu e relataram perseguições anteriores contra a vítima.
Durante as acareações, surgiram divergências sobre o destino da arma utilizada no crime. Um dos envolvidos afirmou que ela teria sido enterrada, enquanto outro negou a versão, gerando contradições diante dos jurados.
Familiares da vítima também reforçaram o histórico de ameaças. O primo e o irmão de Rian relataram episódios anteriores de intimidação.
Tese da defesa e posicionamento da acusação
Em seu depoimento, Wolkmar tentou atribuir a responsabilidade a terceiros, alegando inclusive motivações políticas para sua acusação.
Já o Ministério Público sustentou que o crime foi motivado por ciúmes, possessividade e vingança, destacando inconsistências na versão apresentada pelo réu.
O promotor Frederico Monteiro ressaltou que, mesmo alegando conhecimento prévio do crime, o acusado não procurou a polícia.
Decisão e fundamentação da pena
Na sentença, o juiz Geraldo Amorim destacou a premeditação do crime, apontando que o réu havia feito ameaças, perseguido a vítima e adquirido a arma dias antes do homicídio.
Segundo o magistrado, Wolkmar não apenas encomendou o crime, mas atuou como articulador de toda a ação.
“A conduta do réu não foi a de mera encomenda, mas de verdadeiro arquiteto do crime”, afirmou.
A decisão encerra um processo marcado por forte comoção em Viçosa, além de absolvições de outros envolvidos ao longo do caso.




